domingo, 9 de setembro de 2018

Payroll de Setembro

Na última sexta (07/09) foi divulgado um dos dados econômicos mais importantes do mundo, o payroll da Economia dos Estados Unidos. O payroll é o relatório de emprego da economia norte-americana, e mostra os dados relacionados a essa variável, como a taxa de desemprego, a quantidade de contratações ou demissões e o valor da hora trabalhada. O relatório é importante porque é um balizador da taxa de juros norte-americana, variável que interfere no comportamento das grandes economias de todo o mundo e nas cotações do dólar. O dado é sempre apresentado na primeira sexta-feira do mês, às 9h30 no horário de Brasília.
Para setembro, o indicador mostrou a criação de 201 mil empregos, a taxa de desemprego ficou em 3,9%, e houve um aumento de 0,4% dos salários em relação ao mês anterior. Os números apresentados ficaram em linha com as projeções do mercado financeiro.

domingo, 29 de outubro de 2017

Redução taxa selic

Na última quarta-feira, 25/10, o Copom decidiu, por unaminidade, cortar mais uma vez a taxa de juros básica da economia brasileira, a Selic, em 0,75 pontos percentuais, com a taxa indo para 7,5% ao ano.
O corte já era esperado por grande parte dos agentes do mercado, mas a grande dúvida é se o ciclo de reduções irá continuar.
Hoje existem três fatores que contribuem para as taxas de juros em níveis historicamente muito baixos: a recessão econômica, o alto nível de desemprego e a baixa inflação. O desemprego, de acordo com as pesquisas do IBGE, tem mostrado uma leve redução, enquanto a inflação se beneficia do bom período climático e das boas safras, que diminuíram o preço dos alimentos e permitem a inflação estar baixa mesmo com os recentes aumentos na gasolina e no gás de cozinha.
Como está escrito no relatório do Banco Central, o momento pede uma política monetária estimulativa, para o país sair da recessão e ajudar a reativar o crescimento.
Pelo que parece, o ciclo de cortes por ora deve cessar, devido ao aumento da incerteza no cenário nacional, com a aproximação das eleições e do internacional, com as prováveis mudanças na política monetária e fiscal nos Estados Unidos e como o FED americano e o Banco Central europeu vão ajustar suas políticas de flexibilização monetária.
O Copom têm sua atenção voltada também para o andamento da reforma da previdência no congresso, já que com a recusa ao prosseguimento à segunda denúncia ao presidente Michel Temer, o bloco governista deve se concentrar em aprovar a reforma da previdência, mesmo com alterações, ainda em 2017.

domingo, 14 de maio de 2017

Performance das Empresas surpreende


Pelo menos nos números apresentados pelas empresas brasileiras com ações listadas na Bolsa, o Brasil pode estar começando sua recuperação econômica. Empresas que vinham apresentando prejuízos sucessivos, apresentaram números que podem mostrar que a economia brasileira está no caminho da retomada. Entre essas empresas estão gigantes como a Petrobras e a Vale, com lucros de 4 bilhões e  7 bilhões, respectivamente, para o trimestre de janeiro a março. Outra empresa que vinha apresentando prejuízos sucessivos e surpreendeu os investidores com o lucro foi a Usiminas. A empresa produtora de aço apresentou lucro no trimestre de 108 milhões de reais. Outro setor que mostrou recuperação foi o de varejistas. Companhias como a Magazine Luiza,  Via varejo, e o Pão de Açúcar, apresentaram dados bem melhores em relação ao ano passado, revertendo prejuízos, e mostrando uma leve recuperação do setor.
Sem contar os bancos que mantiveram as altas margens de lucros, com menção especial ao Banco do Brasil, 
Entre as possíveis causas dos bons números apresentados pelas empresas, estão a queda da Selic, que foi de 14,25% em outubro de 2016, aos atuais 11,25%, diminuindo os gastos financeiros das empresas, além da valorização de commodities no mercado internacional, como o aço, que viu um aumento de preço de 247%, e o minério de ferro, com aumento de 10% no preço este ano. O preço dessas commodities beneficiou empresas como a Usiminas, Vale e a Gerdau.  Para as varejistas, o resultado pode ser explicado pelo FGTS das contas inativas. Na última pesquisa de Varejo do IBGE, os únicos setores que apresentaram aumento de receitas foram o de roupas, eletrodomésticos e construção civil, áreas com ampla participação das varejistas que apresentaram bons números.
Ilustrando a pequena recuperação, o principal índice da Bolsa de Valores, o Ibovespa, cresceu mais de 14% este ano, resumindo o otimismo do mercado, que foi reforçado pelos números dos balanços.
Apesar da euforia, muitas empresas de destaque apresentaram números decepcionantes, como as empresas frigorificas  BRF e  JBS, afetadas pela operação carne fraca da Polícia Federal. A JBS teve uma queda de 86% no lucro liquido, em relação ao mesmo período de 2016, enquanto a BRF apurou um prejuízo de 285 milhões. Outro grande frigorifico que apresentou números ruins, foi o Marfrig, com prejuízo de 221 milhões. Empresas consideradas bem administradas, como as Lojas Americanas, também apresentaram queda no faturamento e prejuízo, que no caso da varejista foi de quase  200 milhões.
Apesar dos bons números de algumas empresas da Bolsa, o panorama geral econômico indica que falta acertar muitos fundamentos para retomar o crescimento. Teoricamente o pior da crise já passou, mas o desemprego deve demorar para voltar a níveis mais baixos, a queda dos juros ajudam, mas não resolvem todo o problema, e o ambiente ainda é incerto para as empresas voltarem a investir, sem citar o ambiente político. A esperança é que o ambiente externo seja favorável, com aumento dos preços de commodities e câmbio num preço que ajude as exportações para reforçar a volta do crescimento.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Diminuição dos juros

Na última reunião do Copom, o Banco Central surpreendeu o mercado financeiro e cortou em 0,75 a taxa SELIC, que foi de 13,75% ao ano para 13%. A reunião e consequente corte vieram após o resultado do IPCA, a inflação oficial, que fechou 2016 com um índice de 6,29%, ficando abaixo da meta. O corte sinaliza que cada reunião do Copom terá como resultado mais cortes na taxa de juros, que segundo a previsão de consultorias e bancos, deve fechar o ano em 9,5%.
 A diminuição das taxas de juros é altamente necessária na atual conjuntura econômica que passa o Brasil, com uma recessão que dura mais de dois anos. Além de uma taxa real absurda, com a diminuição da expectativa de inflação em ritmo mais rápido que os cortes nos juros, a diminuição da SELIC é uma das principais ações que podem ser feitas para combater a crise, tanto no âmbito privado como no público. Com a diminuição dos juros, diminuirá as despesas das empresas e das famílias com dividas, muitas com taxas de juros vinculadas à SELIC. A pressão nas contas públicas também diminuirá, com o recuo das despesas com juros da dívida publica. Empresas e famílias terão acesso à crédito mais barato e poderão consumir mais, gerando mais receitas e empregos.
 De fato, a diminuição dá taxa de juros sozinha não fará todo o trabalho de nos tirar da recessão, o ambiente externo também tem seus efeitos, mas é a medida que não pode faltar para a volta do crescimento.

domingo, 25 de dezembro de 2016

Crescimento do índice Ibovespa

Mesmo  2016 sendo um ano ruim para a economia brasileira, com queda do PIB e o problema nas contas públicas, além das dívidas das empresas, um índice econômico importante  foi de encontro a os outros e apresentou crescimento: o ibovespa.
O ibovespa é uma carteira teórica de ativos, contendo no seu índice a valorização das ações das mais importantes e maiores empresas brasileiras. Em 2016 houve uma valorização de 32% no índice, sendo assim um investimento muito rentável, obtendo vantagem contra os investimentos de Renda fixa como CDB e Tesouro direto.
Entre as maiores empresas brasileiras e que têm o maior peso na composição do índice, os resultados foram expressivos. Entre as grandes empresas, as que mais apresentaram valorização foram a Vale, com uma valorização no seu papel de 117%, e a Petrobras que viu sua ação crescer 112%. Outras empresas que apresentaram crescimento expressivo foram o Banco do Brasil, que apresentou valorização de 78%, o Bradesco com 52% e o Itaú Unibanco com 35%. A empresa que apresentou a maior valorização foi a Bradespar, braço de investimentos do Bradesco, com crescimento de 186%. As siderúrgicas como a Usiminas (150%) e a Companhia Siderúrgica Nacional (148%) apresentaram também grande valorização.

Apesar da valorização para maior parte das grandes empresas, houve desvalorização nos papeis de empresas como a BRF, que viu suas ações perderem 21% do valor, a JBS, com desvalorização de 8%, e a Ambev, com uma perda de valor de 11%. Um setor que viu suas empresas perderem valor foi o de papel e celulose. As três grandes corporações do setor (Kablin, Suzano Papel e Fibria) apresentaram uma desvalorização de 28%, 29%  e 41%, respectivamente.
2017 tem a esperança de trazer bons ventos, não só para as empresas brasileiras da Bovespa, mas para a economia Brasileira em geral. A previsão é de volta de crescimento do PIB, mesmo que timidamente. Com a diminuição dos juros, a tendência é o crescimento do investimento na Bovespa, que junto com uma boa performance das companhias e um ambiente econômico melhor, pode fazer do próximo ano um período de mais valorização.

domingo, 6 de novembro de 2016

Queda nos preços do petróleo

As quedas dos preços do petróleo afetaram negativamente vários países dependentes da exportação da commoditie. O barril que até meados de 2014 passava facilmente de 100 dólares, hoje é cotado abaixo de 50 dólares.
Entre as razões apontadas para a queda drástica no preço do petróleo, estão a expansão da oferta para uma demanda esperada que não se concretizou, o crescimento da produção americana, que passou a extrair óleo em grandes quantidades através das rochas de xisto e procura diversificar os países de quem importa, a volta do Irã ao mercado de exportadores e a desaceleração da economia chinesa.
Vários são os países afetados, principalmente os grandes exportadores e membros da OPEP, a organização dos países exportadores de petróleo. A Arábia Saudita, o maior exportador e com a segunda maior reserva comprovada do combustível, sofre com a queda das exportações, representadas principalmente pelo petróleo, e como consequência enfrenta problemas como a falta de divisas e o aumento do deficit público.
A queda nas exportações da Arábia Saudita

Mudando de continente,  saindo do Oriente Médio e indo para a África, a Nigéria, o principal produtor africano, vem sofrendo dos mesmos problemas da Arábia saudita, como a queda das exportações e a falta de divisas. Além desses problemas a inflação do país ameaça chegar a 20%, e a nação arbitra juros de 14% para tentar combatê-la.
O grande país afetado por essa queda acentuada dos preços do petróleo é a Venezuela. Dona das maiores reservas mundiais provadas da commoditie, o país sofre dos mesmos problemas dos seus colegas da OPEP, como a falta de divisas, a queda nas exportações e o aumento do deficit público, sendo atingido também por uma inflação galopante que é a maior do mundo e passa dos 100%. Políticas como a estatização de propriedades estrangeiras e o congelamento de preços, levaram muitas empresas a saírem do país e o investimento estrangeiro hoje é quase zero. Em consequência disso, o país sofre escassez de recursos básicos, como alimentos, medicamentos e produtos de primeira necessidade, beirando o colapso. Até o dinheiro que alimenta a inflação do país, que é importado, está em falta devido a falta de dólares para pagar o fabricante.
Enquanto vários países sofrem, e outros vibram com as quedas dos preços do petróleo, há poucos indícios de que os preços do produto voltem aos patamares de dois anos atrás. Com as grandes economias ainda apresentando baixas taxas de crescimento, a previsão é de que o preço continue o mesmo ou aumente muito pouco no curto a médio prazo.

Fontes: http://www.tradingeconomics.com/nigeria/government-budget
http://www.tradingeconomics.com/saudi-arabia/indicators

terça-feira, 11 de outubro de 2016

PEC do teto dos gastos- parte II

No blog já fiz um texto sobre a PEC 241 (aqui), a proposta de emenda constitucional que congela os gastos públicos por vinte anos. No texto, a proposta é colocada em comparação com gastos anteriores do governo, numa série calculada que vai de 2003 a 2015. No final dos anos calculados, se tivéssemos adotado uma proposta desta em 2003 por exemplo, estaríamos registrando superávits primários de mais de R$ 500 bilhões.
Neste texto o cálculo é com a projeção de gastos futuros, e o ponto de partida é bem diferente, pois em 2003 partíamos com superávits primários e hoje começamos com um déficit primário. Para calcular a série, foram usados índices de inflação de 4,5% a.a, que é a meta da inflação, e um crescimento do PIB de 2% aa, uma meta de crescimento bastante realista. Outro esclarecimento é de que os dados da receita só foram corrigidos pela inflação e o aumento do PIB (que aumenta as receitas com impostos), sem a cogitação de que o governo venderá patrimônio público ou aumentará impostos.


Utilizando os dados no gráfico, vemos que a receita só igualaria a despesa somente em 2026. Os dados demonstram a deterioração das contas públicas, e que talvez junto com o congelamento de despesas, o governo possa até aumentar impostos para crescer as receitas. 2026 também será um ano importante, se o projeto for aprovado, pois é o período em que a lei poderá ser revisada.
A PEC teria o poder de reverter a trajetória da dívida pública a partir deste ano (2026), período no qual ela provavelmente atingiria o seu pico e começaria a cair.


Uma das principais críticas a PEC é sobre os gastos com saúde e educação. Hoje estes gastos estão relacionados a receita pública líquida, que é o que sobra da Receita Total da União com impostos e contribuições após as transferências para estados e municípios. Atualmente o orçamento para saúde é de 13,2% da receita líquida e para educação 18%. O comportamento das despesas com essas áreas com a aprovação da PEC pode ser vista nos gráficos a seguir:


Provavelmente serão menos recursos para as áreas com a proposta, a menos que os congressistas, na hora que forem fazer o orçamento, cortem gastos em outras áreas.
A PEC não é uma proposta totalmente pronta, já que a previdência, que representa grande parte dos gastos do governo e vem apresentando uma média de crescimento de 12% desde 2010, não entra na possível emenda constitucional.
Além da redução de gastos, o Brasil precisa de outras reformas, como a tributária, que estabeleça impostos que sejam fáceis de entender, mais progressivos e que tributem mais renda, onerando menos as classe mais baixas e facilitando a vida das empresas e empreendedores, combinada com um maior rigor fiscal para evitar sonegações.
Também deve-se refletir sobre o papel social do ajuste, pois a economia não são somente números, e garantir qualidade de vida para a população é tão importante quanto evitar o aumento da dívida. Enfim, entre os bilhões que serão congelados está o dinheiro que paga auxilios moradia, transporte e de vestuários para juízes e políticos mas também livros para crianças pobres e remédios para aposentados. Que os gestores públicos tenham mais responsabilidade nos gastos e privilegiem o que de fato é mais importante.